Mulheres começam a marcar presença nos e-sports

Mulheres começam a marcar presença nos e-sports

Renan Renan 04 mar 2022

Os esportes eletrônicos, chamados e-sports, estão dentre os setores que mais cresce mundialmente. Grandes competições dos mais diversos games são realizadas todos os anos, movimentando altos valores em dinheiro, além de milhares de fãs ao redor do mundo. Torna-se cada vez mais comum o aumento no número de pessoas interessadas por este universo, sejam aqueles que querem acompanhar, ou então, os que sonham em se tornar jogadores profissionais.

Um fenômeno que chama bastante atenção nos games, de forma geral, é o crescimento da presença das mulheres nesse meio. E isso também ocorre no cenário profissional, nos e-sports. Portanto, nos acompanhe nessa postagem, que falará um pouco sobre como as mulheres têm ganhado o seu espaço no amplo universo gamer.

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Mulheres nos jogos

No universo gamer como um todo, as mulheres crescem a sua presença com o passar dos anos. A “Pesquisa Game Brasil” estuda o perfil dos gamers na América Latina e, na sua última edição publicada em abril de 2021, mostrou que 51,5% do público geral dos games no Brasil, é composto por mulheres. Os dados são detalhados quanto às plataformas, e mostram que as mulheres são maioria dentre os gamers em smartphones, com 62,2% do público. Já nos consoles, o público feminino já representa 38,1% do total, e nos computadores, 40,4%.

Apesar da dominância em apenas uma das plataformas pesquisadas, como mostram os dados, a equidade está cada vez mais próxima, ao olharmos para os números gerais. Ademais, o domínio das mulheres no público de games para celulares, mostra a preferência por jogos mais casuais, que são, muitas vezes, uma forma de iniciar no mundo gamer. Isso indica um aumento do interesse das mulheres nesse universo, o que provavelmente vai aumentar a presença feminina em todas as outras plataformas.

Mulheres no e-sports

Apesar da presença notável e crescente no ambiente gamer, as mulheres ainda enfrentam diversas dificuldades quando o assunto são os esportes eletrônicos. Grande parte dos problemas está relacionado com o preconceito dentro das comunidades dos principais jogos competitivos. É bem comum ouvir relato de mulheres que sofreram com machismo, ao simplesmente tentar jogar uma partida. Isso cria situações como a de Maria Bonino, comentarista das principais competições de “Rainbow Six”, gigante game nos e-sports. Maria relata que quando iniciou jogando Rainbow Six, utilizava nomes no jogo, que fossem neutros, não indicando o seu gênero, ademais, evitava se comunicar por voz durante as partidas. O caso dela é apenas um, dentre muitos, que se repetem pelos mais diversos jogos.

Essas dificuldades enfrentadas por jogadoras casuais, tornam complexa toda a situação. Boa parte do público feminino desanima com a repetição de comportamentos tóxicos e acaba desistindo, sem explorar todo o seu possível potencial como jogadora profissional. Mas, cada vez mais, esse cenário apresenta tendências de mudança, movimentadas pelas próprias comunidades e, também, por algumas das principais empresas responsáveis pelos jogos.

A união da comunidade

Um dos primeiros passos, também um dos mais importantes, é a união da comunidade feminina contra os preconceitos, e a favor do incentivo à exploração do potencial das jogadoras. Verificamos esse fenômeno com o surgimento de algumas organizações fundadas por mulheres. É o caso do “Projeto Valkirias”, hoje “W7M Valkirias”, fundado em 2019, que visa preparar o público feminino para o cenário competitivo dos principais games. A “Sakuras Esports”, criada em 2018, também é um excelente exemplo de organização 100% feminina, que luta pelo incentivo e desenvolvimento das mulheres dentro dos esportes eletrônicos. Por fim, citamos, dentre os principais projetos no Brasil, o “You Go Girls”, que visa dar oportunidade às mulheres gamers e geeks, principalmente quanto à produção de conteúdo, aumentando a visibilidade feminina de forma geral.

As empresas no apoio às mulheres

Com a percepção das comunidades no aumento do interesse por parte do público feminino, algumas empresas iniciaram investimentos na área, visando facilitar o crescimento das mulheres no e-sports.

A “Gamers Club”, principal comunidade de “Counter Strike: Global Offensive” no Brasil, sempre buscou incentivar o desenvolvimento do cenário competitivo do game, de forma geral. Na plataforma estão disponíveis diversos conteúdos, como aulas para melhorar o desempenho no jogo, além da possibilidade de realizar diversas competições amadoras. Ademais, na “Gamers Club” são organizados diversos campeonatos, e um que se destacou bastante nos últimos anos é a “Liga Gamers Club Série Feminina”. Na sua última realização, foram 64 equipes competindo ao longo de 14 dias de torneio. O campeonato contava com premiação de mais de R$5.000,00 para as equipes nas primeiras colocações. Já o “Gamers Club Masters Feminina IV”, disputado em 2021, contava com as 6 principais equipes femininas de CS brasileiras, e distribuiu mais de R$60.000,00 em premiação. Os torneios, e a plataforma como um todo, incentivam o público feminino a se engajar cada vez mais no cenário competitivo.

Por fim, citaremos a Riot Games, empresa responsável pelo “Valorant”, game que não para de crescer no universo competitivo, e faz grandes investimentos no cenário feminino. A Riot organiza e incentiva diversos campeonatos disputados exclusivamente por equipes femininas. Além disso, a empresa dá constante visibilidade às diversas criadoras de conteúdo e, nas principais transmissões dos grandes torneios, é comum ver narradoras e comentaristas mulheres, mostrando a busca da equidade em todos os meios do cenário. O incentivo que Valorant promove às mulheres no e-sports fica claro, quando vemos o surgimento de diversas equipes femininas nas principais organizações do Brasil e do mundo. Temos como exemplo a “Team Liquid”, uma das principais organizações do mundo do e-sports, que anunciou a sua equipe feminina em janeiro de 2022. A equipe conta com jogadoras multicampeãs em território brasileiro, defendendo anteriormente a “Gamelanders Purple”. Outros grandes times, dentre os principais no cenário feminino, são a “B4 Angels”, a “Gamelanders Purple”, que conta com nova composição, a “Stars Horizon” e a “TBK”.

A igualdade, deve ser buscada sempre em todos os setores e, sendo assim, que não seja diferente nos games. É importante incentivar positivamente o crescimento das mulheres nos esportes eletrônicos. E claro, você gamer, deve ir contra os comportamentos que favorecem a criação de ambientes tóxicos para todos os jogadores, incluindo as jogadoras, que sofrem diariamente com isso. Imagine quantas potenciais profissionais desanimam e acabam desistindo dos games, devido ao preconceito que sofrem nas partidas. Seja para a formação de novas atletas, ou apenas para tornar o mais confortável possível a apreciação do cenário competitivo dos jogos, devemos sempre manter o máximo respeito com todos.

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